O medo de errar no começo da prática jurídica

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Não é sobre não errar, é sobre aceitar a possibilidade do erro e dá uma resposta a esse medo.

Quando iniciamos nossa jornada no Direito, com a prática jurídica, ele está sempre por ali. Parece não dormir nem se descuidar nunca, e é só aquela atividade surgir que ele vem junto, com toda força. As batidas do coração se aceleram, a respiração fica ofegante, os olhos assustados, e a coragem só quer fugir. Nos sentimos um menino, uma menina sozinhos.

Quem não já sentiu esses sintomas quando precisou redigir sua primeira petição inicial, foi fazer sua primeira audiência, participou de uma entrevista para estágio?

Mas por que tememos? O que tememos?

Se o pão que precisamos comer, o pagamento do próximo aluguel, ou o remédio para a grave doença dependerem da atividade desafiante, esse medo é legítimo. A fome é a última fronteira da racionalidade. Garantir a moradia ou a saúde justifica qualquer medo, tê-lo é mais que legítimo. Aqui temos casos extremos, são exceções.

O cotidiano nos mostra, porém, que o medo de errar tem raízes mais medíocres. Tememos as críticas dos outros, tememos os julgamentos, tememos a rejeição que vem com o dedo em riste.

Eu não sei nas outras profissões, mas nas jurídicas a competição e o exibicionismo desafiam qualquer iniciante a tremer de medo. E quanto mais arrogante for o sujeito, mais ele temerá seu erro. Afinal só os ruins, incompetentes e despreparados eram. Ele é bom demais para se expor as críticas.

O problema é que só se aprende fazendo, e quem faz para aprender vai errar. Não é que pode errar, é que vai errar aqui ou ali. E está tudo bem. Errar é o caminho mais curto para se aprender. Quem fica no escritório evitando ir às audiências e escolhe se entregar aos estudos teóricos sobre ela, no CPC, para seguro fazer uma audiência, vai precisar de muito mais tempo para aprender a faze-la do que aquele que assiste muitas audiências e se arrisca a errar, mas faz! Aquele que fica copiando petições vai precisar de muito mais tempo para aprender a redigir do que aquele que redige, erra e conserta sua petição.

Meus caros, minhas caras, não há planejamento que resista ao campo de batalha.

Vistam-se de coração da fase que você está. Se você é estudante de Direito, sinta-se estudante, portanto aprendiz em início de aprendizado. Queira acertar, dê o seu melhor, mas na dúvida, erre sem vergonha. Se é advogado novo, em começo de carreira (e aí não importa a quanto tempo você pegou sua carteira da OAB), o que conta é a quanto tempo você se jogou na advocacia. Aceite que pode errar. Previna-se. Consulte a colegas mais experientes. Mas aceite que está no começo da sua carreira e o erro pode acontecer.

Por fim, e ainda no começo e sempre, diminua o crítico que habita você, desenvolva empatia por si, e as críticas externas perderão a força. Você aprenderá a ficar blindado contra o olhar do juiz arrogante, a intolerância do advogado chefe, o exibicionismo do colega sabe-tudo.

É sobre dá uma resposta ao medo, não ignorá-lo. Por que você tem medo de fazer …?  Responda a essa pergunta e analise, sozinho ou com alguém da sua confiança, se seu medo tem razão  de existir ou se fundamenta no medo das críticas alheias. Crítica, lembre-se, de gente insignificante. Porque os grandes puxam sua orelha se seu erro veio de descaso com o trabalho, preguiça, falta de dedicação. Se seu erro decorreu da sua intensa tentativa de acertar, você jamais receberá uma crítica de alguém significante.

Escreva aqui nos comentários, do que você tem medo?

Um grande abraço, sem medo de errar. 🙂

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